quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Quero voltar pra roça!

CIDADEZINHA QUALQUER

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.

Carlos Drummond de Andrade


...


Segunda-feira, 6:30 da manhã. Alguém grita meu nome "Você ainda está aí?" . Num sobressalto levanto. Atrasei-me.

No ponto de ônibus às 8 horas, vejo meus conterrâneos caminhando vagasamente rumo ao trabalho entre papos animados sobre o final de semana. Atravessam a rua sem olhar para os lados e pronto. Chegaram em menos de dez minutos e agora esperam o chefe abrir a porta do estabelecimento. Sorriem doces. Pessoas que levam uma vida tanqüila numa pequena cidade do interior.

Entrei no primeiro ônibus. Lotado. Depois de uma hora peguei meu segundo ônibus. Mais duas horas e meia chego à selva. Mais um ônibus até minha segunda casa. Atravesso aquela ponte imensa que parece mais um monumento e finalmente chego ao meu destino. Deixo minha mala no carpete do quarto e saio apressada rumo à faculdade. Uma e meia da tarde estou na sala de aula em meu primeiro dia depois daquelas férias tão especiais passadas no interior. No meu lar.

Naquela noite, assim que coloquei a cabeça no travesseiro não pude deixar de pensar naquelas jovens conterrâneas minhas caminhando para o trabalho. Não pude deixar de lembrar na época em que eu fazia o mesmo trajeto em direção à minha escola. Que acordava dez minutos antes de bater o sinal de entrada. Que eu ría durante as aulas e brincava de três cortes durante o recreio. A merenda era uma delícia! Nunca comi um feijão como aquele. Depois voltava para a sala de aula sem fôlego de tanto conversar papos adolescentes e correr no futsal. Ah! Como passei bons momentos naquela cidadezinha! Fins de tarde jogando vôlei e rindo com meu namorico de praça.

Não pude deixar de pensar na tranqüilidade que às vezes me soava até tediosa. Todos os dias depois do almoço eu visitava minha amiga. Passava horas conversando com ela até a hora de ir para o vôlei. Conversávamos sobre tudo. Nunca tive uma amiga como ela. Até que um dia ela foi para a faculdade. Lentamente fomos nos distanciando até que chegou minha vez de ir para a cidade grande. Não nos vemos mais a não ser aos domingos na igreja, mas mal trocamos meia dúzia de palavras.

Como era boa aquela vida besta! Aquela que todo mundo conhecia. Aquela que eu via meus irmãos todos os dias. Aquela que todo poeta invejaria.

E agora, voltando à selva, corro contra o tempo para poder voltar depressa à minha roça querida. Lugar onde começou minha vida e onde quero que ela termine. Onde me esperam minha família e o amor da minha vida. Lugar que pretendo passar até o fim dos meu dias. Perto dos morros e cachoeiras, praias paradisíecas e clima agradável. Onde não se vê poluição e correria. Onde as amizades têm tempo para crescer. É lá que eu quero viver.



terça-feira, 8 de julho de 2008

Não há tempo!



Bem-vindo ao mundo moderno!

Lugar onde não há tempo.

Aqui vive-se preso
Mas todos usam a máscara da liberdade.

O trabalho é prioridade
Não há escolha!
Viva para o trabalho
Ou não tenha dinheiro pra sobreviver
Todos correm contra o tempo
Tudo está a nossa volta
mas não conseguimos alcalçar
Somos atletas do esgotamento
Competindo todos os dias
Sem forças para recolocar

Não há tempo!
Nem para o amor
Nem para o ódio
Nem para nada
Só cansaço do dever
Tudo está tão perto
Mas não é possivel alcançar

Não há tempo!
Para o choro
para sentir a dor ou a paz
para pensar no certo ou errado
Deve-se agir e logo
Somos escravos do trabalho!
Escravos do dinheiro
E usamos máscaras da liberdade
Miseráveis de Espírito
Sem força para servir

Não há tempo!
Sem fôlego para respirar

Não há coragem!
Nem ousadia para mudar


Bem-vindo ao mundo moderno!

Lugar onde não há tempo.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

"Sou uma cética que crê em tudo,uma desiludida cheia de ilusões,uma revoltada a aceitar sorridente todo o mal da vida,uma indiferente a transbordar de ternura.Grave e metodica até a mania,atenta a todas as sutilezas de um raciocínio claro de lúcido,não deixo de ser no entanto uma espécie de Dom Quixote femea a combater moinhos de vento,quimérica e fantástica, sempre enganada e sempre a pedir novas mentiras à vida,num dom de mim própria que não acaba,que não desfaleceque não cansa.nada me chega...nada me convence...nada me basta..."

Florbela Espanca

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Se é isso que queres, é isso que terás!




Você gosta de pessoas que concordem com tudo o que você diz, que riam das tuas piadas, que achem tudo o que você faz maravilhoso?
Prefere pessoas que te elogiem e que te gloriem, massageiem?
Que te achem lindo, simpático e inteligente?
Atraente, cativante, organizado
Esforçado, determinado, estudioso
Grande, Forte, Potente!


Ok!

Então você peça para todos que estão a tua volta para serem falsos, mentirosos, fúteis e hipócritas! Não queira conhecer o que se passa dentro deles. Não queira saber o que eles pensam sobre você e sobre o mundo. Robotíze-os! Eles farão tudo o que você deseja, mas nunca farão por vontade própria. Você ouvirá muitas coisas boas, mas não ouvirá a verdade. Eles mentirão para você se sentir bem. A vávula de escape deles será falar de você para os outros, já que não podem falar para você. Eles nunca serão naturais perto de ti. Agirão sempre como você deseja.

Perfeito, não é mesmo?!?! Isso sim é vida! Maravilha!

Então entre na convenção! Jogue o jogo! Participe do sitema!

Assim tua vida vai ser linda, feliz, fútil e hipócrita!

To be or not to be. That's the question!


É interessante como o medo de ser reconhecido pelo que se é de verdade assola as pessoas.

Todos querem ser reconhecidos por suas qualidades, mas temem por demais que seus defeitos sejam conhecidos.

Reconheço sim, que as pessoas são cruéis em julgamentos. Que dependendo desses julgamentos, podemos ser afastados ou aproximados do convívio de pessoas amadas. Que a revelação de nossas características ruins pode abalar, e muito, nossa vida.

Mas ao mesmo tempo, acredito que vale a pena pagar esse preço. Vale a pena viver sendo o que é. Triste são as pessoas que (sobre)vivem dependendo da visão externa. É irreal! É inútil! Fútil! Não se faz ninguém feliz assim... não se é feliz assim!

É impotante gostar de ser o que é. Admirar-se. Orgulhar-se. Reconhecer-se. E, decepcionar-se também. Faz parte da vida e amadurece o homem.

Procurar ser uma pessoa melhor, sem deixar a essência é o que procuro. Não culpo os que ainda preferem omitir-se, pois realmente, o preço que se paga pela autenticidade é caro. Entretanto, não se pode negar que só é grande quem reconhece suas falhas, tornando-se assim o que se é e o que se será: superior a si mesmo.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Auto-conhecimento

Quanto mais se conhece, mais não se conhece.

Dói perceber-se errante... negligente... detentor de defeitos que tanto se condena em outrem.

Dói ouvir verdades sobre si, mas não se pensa nisso quando quem fala é si próprio.

Dói perceber o erro só depois de cometido. A ofensa só depois de proferida.

Fingir o que não é. Falar do que não se sabe. Forjar um pensamento.

Odiar quem lhe faz mal. Vingar a maldade. Não perdoar.

Ser intolerante. Grosseiro. Mentiroso.

Orgulhoso. Dono da verdade. Cheio de razões.

Intocável. Indomável. Irrepreensível.

SOLIDÃO.

Admitir defeitos é, acima de tudo, ser sozinho no mundo de quem não erra.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Este texto não é meu, mas reflete perfeitamente a mim e a meus modestos anseios.



Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho... Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento...e não brinque com ele.

E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.


Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe... que ele é superior ao ódio e ao rancor.


Encontrei esse texto com a autoria de Mário Quintana, mas não posso afirmar, pois a fonte não é segura.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Vamos pensar um pouco?



Até que ponto você pode controlar quem você é?

Até que ponto você pode controlar suas ações?

Até que ponto você faz o que você DEVE fazer?


Até o ponto que você quiser!


Depende de você , e só de você, fazer a coisa certa ou fazer a coisa errada.


Você só precisa decidir.


Então?


Qual você escolhe?


If you know something appurtenance someone, why you want it for you?


terça-feira, 20 de maio de 2008

Liberdade

Acho bom começarmos a ler mais Fernando Pessoa rs...

Simplesmente ser...

Ter a liberdade para sermos que somos. Bichos humanos. Sem as estipulações da cultura. Sem as raízes do pensamento moderno.


Ser raso... e ao mesmo tempo ser completo.


Raso de estipulações e completo de si.


Assim como uma criança!


Muitas vezes não temos nem a opção de ser o que somos realmente de tão impregnados estão os valores externos em nós. Fazemos só o que já é esperado que uma pessoa normal faça. Automaticamente.


Já parou pra pensar nisso? Ou você só pensa o que pensam por você?



Coração Valente é um dos meus filmes favoritos. Sabe pq? No final, quando a personagem principal está sendo torturado para fazer o que esperam que ele faça, ele dá o último suspiro com uma palavra.


Um brado.



LIBERDADEEEEEEEEEEEEEE!!!



*Esse texto foi feito para comentar o post de um amigo. Achei por bem complementá-lo e colocá-lo aqui, pois expressa meus pensamentos de uma noite inteira.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Ufaaa!

Que alívio! Era só um pesadelo.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Autenticidade.

"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."

Ricardo Reis, 14-2-1933

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Enfim, minha singela janela.


A liberdade da autenticidade venceu a guerra contra o medo da crítica. O caminho da transparência, apesar de difícil, sempre terá prioridade na alma dos que possuem caráter.

Este é meu mundo. O mundo de quem já cresceu demais para acreditar em reinos encantados e preza pela verdade do mundo real.

Que a verdade não assuste mais. Que ela sirva para a aprendizagem dos que possuem a vontade de perceber a sua própria... e seguí-la. Sem medo.

Deleito-me agora no prazer da escrita.